ENTRE CAMPOS


A Inquietude (e Ameaça?) do Silêncio:
Entrevista com Joe Lima


Por Hélder Ramos

A solidão, o medo do desconhecido ou do inesperado, a escassez de comunicação autêntica entre indivíduos e as relações entre espaços físicos e o historial de cada pessoa são preocupações constantes em toda a obra mais recente de Joe Lima, onde predominam os campos abandonados e as personagens solitárias. O silêncio e a imobilidade destes, a qualquer momento, pode acabar. A expectativa e o receio preenchem cada momento, uma espécie de `agitação em repouso' que caracteriza a vida em sociedade nos tempos que correm. São estes os temas de The Uneasiness of Silence, uma exposição de frescos de Joe Lima que estreia amanhã, 2 de Abril.

Joe Lima nasceu em São Miguel em 1963. Ele estudou Artes Visuais no Fanshawe College em London, Ontário e na Universidade Concórdia, em Montreal, Québec. Ele já expôs em todo o Canadá e em Ponta Delgada; a convite da Governo Regional dos Açores, Joe Lima passou um período de `desenvolvimento criativo'. O resultado deste processo esteve em exposição na Galeria de Arte da Câmara Municipal de Ponta Delgada.

Durante os últimos anos, Joe Lima tem concentrado o seu esforço e talento na criação de frescos, peças em que um quadro de argamassa fresca é pintado, ficando as cores embebidas no material de base, uma base que por vezes é também esculpida, formando um baixo relevo. O desejo de reter a `portabilidade' da pintura e a qualidade tridimensional da escultura levaram Joe Lima a criar os chamados "Walls without a Frame" (Paredes sem Quadro, ou delimitações), uma espécie de fresco `portátil' que o artista apresentou em Montreal e, mais perto de nós, durante a exposição "Sem Saudade" em Cambridge, Ontário, em 2003, para a qual ele já foi apresentado à comunidade portuguesa com uma entrevista neste mesmo espaço.

Em 2004, as pinturas passaram a retratar espaços interiores e seres fictícios, um alargamento temático que proporciona ao artista mais opções na sua tentativa de tornar visível os cantos mais escuros e os contornos menos conhecidos da alma humana.

The Uneasiness of Silence estará patente ao público a partir de amanhã, 2 de Abril, com a abertura às 14h00 no Cambridge Galleries, Queen's Square, Cambridge, Ontario. Inf.: www.cambridgegalleries.ca. Para mais informações sobre este artista: www.joelima.ca.

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S.P.: - What is The Uneasiness of Silence?

J.L.: - This exhibition is a collection of fresco and oil paintings produced in the year 2004. The main focus it to create images derived from deliberately ambiguous clues. These clues are closely linked to images derived from film stills that I produced of Azorean interiors as well as abandoned fields. Again reoccurring themes of loneliness and mysterious union are present in the work. At times the composition is unsettling or ominous and that the space is being threatened by some distant fear that cannot be fully understood and explained. It is through this silence that the work prevails and constructs a pattern of contemporary uneasiness.

S.P.: - How does The Uneasiness of Silence differ from your previous work?

J.L.: - The main focus of the show was to create images derived from various film production narratives and photomontages that I created during visits to specific sites in Azores, Portugal and in Canada. "The Uneasiness of Silence" was the working title for this exhibition. It is a reflection of the overall connection of work, in which the stillness of the pictorial plain feels threatened. In truth the moment of particular painting is tempered by another presence that is less obvious, and creates more of a mysterious union between subjects.

S.P.: - Can you describe what you understand has been the type evolution that has taken place in your art, or in yourself as the artist, since the "Sem Saudade" show?

J.L.: - The evolution of the work introduces subjects that were not seen in previous works. In paintings such as the "The Kitchen" and "Nightlight" I am dealing with interior spaces for the first time. The rooms reflect a contemporary uneasiness, an uneasiness brought about because of loneliness and being unable to connect. I am also working with various light sources and subject juxtapositions in these paintings that are new to me.

This is to create a new special relationship in which the figures are at times hidden or removed from the overall picture and that some of hidden meanings exist outside of the picture plain, it is like removing the self. Paintings such as "Crouching Giant" and "Singing Giant" feature another new main subject - giants. The child giant becomes part of the constructive narrative, and it breaks the conventional method of the figure in space. All this is to create an unsettling composition that confronts the viewer with the feeling of distance and loneliness. .