GESTA

LUSO-CANADIANA

Geste Luso-canadienne  Portuguese canadian accomplishements

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MEMÓRIA LUSO-CANADIANA

 


Cá nada!
Frustrados por só depararem com terras geladas e inóspitas, estaria nesta expressão de decepção dos primeiros navegadores portugueses que abordaram estas paragens a origem do nome Canadá.
Fabulação ou não, está porém historicamente comprovada pela profusa cartografia da época e pela toponímia de origem portuguesa de vários locais, a presença portuguesa na Terra Nova e ao longo de toda a costa canadiana do Atlântico Norte. Na opinião de credíveis historiadores, esta presença remonta ao início do séc. XVI ou mesmo ainda mais cedo, dando assim início à tão cantada epopeia do bacalhau.
É até muito possível que a primeira igreja na Terra Nova, mais precisamente na região de Placentia, tenha sido fundada pelos portugueses.



 O navegador João Vaz Corte-Real alcançou, provavelmente, a Terra-Nova em 1472


Até recente data, quando os bancos piscatórios pareciam inesgotáveis, a presença das frotas pesqueiras portuguesas nos portos da Terra Nova sempre foram um festivo acontecimento. Barcos como o Gil Eanes e o Creoula ficarão para sempre enraizados no nosso imaginário colectivo. Para que a memória de tal gesta não se perca, fica o testemunho da estátua de Gaspar Corte-Real erigida, em 1965, no Prince Philip Drive e da imagem de Nossa Senhora de Fátima, na Catedral Românica Católica de St. John, oferecidas, em sinal de reconhecimento, pelos pescadores portugueses ao povo da Terra Nova.

 

Em 1918, o professor Edmund Burke Delabarre, da Universidade Brown, provocou acesa polémica ao defender a teoria de que várias das inscrições que recobrem a célebre "Digthon Rock", encontrada no "Taunton River", provam a passagem de Miguel Corte Real por terras da América do Norte.

Já agora conheça a espantosa lenda acadiana do barco fantasma de Gaspar Corte-Real que desde, há séculos, aparece em vésperas de tempestade.


 

Ao longo dos séculos, vários aventureiros por cá andaram ao serviço dos reis da França e da Inglaterra.
O mais famoso foi um tal Pedro da Silva, natural de Lisboa. Chegou a estas terras em data incerta e em 1677 casou com Jeanne Greslon, deixando numerosa prole da qual descendem quase todos os daSilva, Sylva e Dasylva actuais. Morreu em 1717 na cidade do Quebeque.
Este bravo Silva é hoje figura histórica pois coube-lhe a missão de ser o primeiro carteiro oficial do Canada, transportando durante vários anos as mensagens do governador da Nova França entre Montreal e a cidade do Quebeque.

No dia 6 de Junho de 2003 os Correios do Canadá emitirão um selo em homenagem a Pedro da Silva

Sem esquecer muitos outros que deixaram nome e feitos assinaláveis, tais como um certo João Afonso célebre piloto que acompanhou o Senhor de Roberval numa expedição ao Canada, Mateus da Costa que participou na colonização da Acadia, ou mesmo um tal João Rodrigues, falecido em Beauport em 1720, e que se afirma ser o antepassado de muitos dos Rodrigue actuais.

Jacques Cartier

Sabia que Jacques Cartier aprendeu a arte de navegar com os marinheiros portugueses e que falava fluentemente o português?

Assinale-se também que os primeiros judeus de origem portuguesa chegaram a Montreal em 1760, tendo fundado em 1768 a primeira sinagoga do Quebeque e do Canadá.

Como mera curiosidade, aponte-se que o vinho do Porto chegou, de forma recambolesca, à Terra Nova nos primórdios da colonização.


 

Depois disso, muitos outros portugueses se estabeleceram no Canadá tal como Francisco da Silva (1841-1920), que viveu grande parte da sua vida em Hantspont, na Nova Escócia, e se celebrizou com pintor. Um outro célebre português, António da Silva, chegou à Terra Nova em 1920, com a idade de 13 anos e por lá ficou até à sua morte, tendo deixado numerosa descendência. A história da sua vida está eternizada no filme "The Stowaway".

 


Contudo, a emigração portuguesa para o Canadá só atingiu números significativos já na segunda metade do séc. XX, mais precisamente a partir de 13 de Maio de 1953, quando o primeiro contingente de 85 imigrantes portugueses (67 de Portugal Continental e 18 dos Açores), que deixara Lisboa a 8 de Maio, chegou ao porto de Halifax, a bordo do navio Satúrnia e entrou em terras canadianas pelo hoje célebre PIER 21.
Logo a seguir, no dia 1 de Junho, um outro contingente de 102 portugueses, desta vez oriundo da ilha da Madeira, chegou a Halifax, a bordo do Nea Hellas. Presentemente, calcula-se em cerca de quatrocentos mil o número de luso-canadianos, estabelecidos do Atlântico ao Pacífico, em terras canadianas.




 

A comunidade de maior importância está radicada na cidade de Toronto, na província do Ontário, onde vivem e labutam cerca de duzentos mil luso-canadianos. Recentemente, foi proclamada a lei 2001 que reconhece oficialmente o 10 de Junho como o dia da Comunidade Portuguesa do Ontário.

 


Em Montreal, a bela cidade francófona da América do Norte, na província do Quebeque, residem cerca de cinquenta mil luso-canadianos, sendo a maioria de origem açoriana.

 


Em Vancouver, na Colúmbia Britânica, estão radicados cerca de dez mil luso-canadianos que se começaram a estabelecer nesta cidade principalmente a partir dos anos 60.





Em Winnipeg, na província do Manitoba, estão concentrados cerca de oito mil luso-canadianos, numa zona já considerada o "coração da comunidade portuguesa", em torno de instituições como a "igreja da Imaculada Conceição" e a "Associação Portuguesa de Manitoba".



Em Calgary, na província de Alberta, uma cidade em grande expansão, vivem cerca de seis mil luso-canadianos.
As suas principais instituições são o Clube Português de Calgary e a Igreja Nossa Senhora de Fátima..



A gesta luso-canadiana está presentemente bem ilustrada na vasta Bibliografia produzida, ao longo dos últimos 50 anos, por vários autores de origem portuguesa e canadiana.




À medida que a Comunidade Luso-Canadiana se ia espalhando do Atlântico ao Pacífico, em demanda duma vida melhor, muitos foram os Autores Luso-Canadianos que, ao longo deste meio-século, semearam as suas experiências e emoções por livros e Jornais e Revistas de língua portuguesa que, entretando, começaram a surgir.
Nos últimos anos, começaram a surgir vários autores canadianos que se inspiram na realidade lusófona para criar algumas das suas obras.
Felizmente, na imprensa portuguesa já aparecem, esporadicamente, alguns artigos que se debruçam sobre a realidade luso-canadiana.



Mais recentemente, com o advento das novas tecnologias e com o desenvolvimento dos meios de comunicação é possível começar a inventariar e a fazer o registo dos Luso-Canadianos ligados às letras e às artes que com o seu labor, enobrecem e divulgam a cultura lusófona.
Também já é possível encontrar nos mares da internet um importante acervo de material académico imprescindível para a compreensão da trajectória sócio-cultural da Comunidade .



Graças a muito esforço e dedicação, o ensino da língua portuguesa aos jovens luso-descendentes é ministrado, por todo o Canadá, nas já consagradas "Escolas de Sábado".

Fruto da maior visibilidade da Comunidade Luso-Canadiana e com a importância crescente do espaço lusófono no mundo, o ensino da língua portuguesa alcançou, nos últimos anos, maior evidência em várias Universidades Canadianas.


No decorrer das comemorações dos 50 anos da chegada oficial a estas terras, encontrar a sua IDENTIDADE será o grande desafio que enfrentará a comunidade luso-canadiana. Até aqui condenada a um isolamento quase completo, encurralada entre as vertigens mortíferas do gueto e da assimilação, subitamente, graças à revolução tecnológica em curso, viu os seus laços reforçados (reatados) com o vasto mundo da lusofonia.
Esta transformação permite-lhe sonhar com mais promissor destino onde a língua portuguesa, simultâneamente factor de identidade e instrumento de comunicação, terá uma função cristalizadora de primeiro plano.

Ficarão, finalmente, abertas as portas e reunidas as condições propícias para que as gerações mais novas ocupem o espaço que lhes pertence na sociedade canadiana.

PRESENÇA PORTUGUESA NO CANADÁ:


EM PERMANENTE CONSTRUÇÃO-Autor:Manuel Carvalho

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